Produzir energia elétrica limpa e barata. Foi com essa ideia que alunos da Faetec Helber Vignoli Muniz, em Saquarema, na Região dos Lagos, conquistaram o primeiro lugar da Feira Centro de Investigación y Emprendimiento Francisco Watson, realizada em Valledupar, na Colômbia. Os estudantes Mathias Carvalho, Matheus Carvalho e Nathan Oliveira, todos com 17 anos, descobriram como extrair carga elétrica da fotossíntese de terra e mato comuns, como o esterco e a tiririca (vegetação que cresce em terrenos baldios e beira de ruas), a partir da técnica conhecida como fito-eletricidade.

– No primeiro experimento, realizado com cinco bromélias, os alunos conseguiram produzir energia elétrica suficiente para alimentar pilhas. Com o avanço das pesquisas, o trio descobriu que a quantidade de bactérias e fungos, bem como o tipo de solo e de planta, melhoram a produção de corrente elétrica. Agora, é possível gerar energia satisfatória para alimentar lâmpadas de LED – explicou a orientadora do projeto, a professora Aline Martins.

A técnica, que consiste em transformar os elétrons liberados durante o processo de fotossíntese das plantas em energia elétrica, não é novidade. Mas, o sistema tem ganhado força no mundo com diversas variações das pesquisas. Dessa vez, foram os alunos da Faetec que identificaram nas plantas e no solo típicos do território nacional meios de ampliar a geração de eletricidade de forma limpa e sustentável.

– Hoje, podemos afirmar que um solo com grande percentual de micro-organismo e retenção de água é a nossa melhor fonte de energia elétrica. Já as plantas do sistema C4, como a tiririca, são as que demostram melhor resultado, aumentando a geração de corrente elétrica – afirmou o estudante Mathias Carvalho.

Um dos objetivos do projeto é incentivar o plantio em regiões urbanas das cidades para ampliar a geração de corrente elétrica. Para os jovens pesquisadores, com a técnica de fito-eletricidade, pessoas sem acesso à eletricidade poderão usufruir de energia a partir de plantações e jardins.

– É muito gratificante para a instituição perceber que o ensino da Faetec possibilitou as ferramentas para que esses alunos conquistassem um prêmio importante em uma feira internacional. São os nossos talentos ganhando o mundo – comemorou o presidente da Faetec, Tande Vieira.

Intercâmbio cultural e pedagógico

O evento da Colômbia foi organizado para incentivar o desenvolvimento de jovens cientistas latinos. Com a conquista do primeiro lugar, o trio da Faetec garantiu participação na Feira Ciência e Vida, que acontecerá, em 2017, na Argentina.

– O sistema de fito-eletricidade poderá ser aplicado em qualquer ambiente e pessoas comuns poderão construir miniusinas em casa. A ideia é que este processo em grande escala possa gerar energia suficiente para atender ambientes industriais e residenciais, a partir de hortas e telhados verdes – disse o aluno Nathan Oliveira.

Publicado en Jornal do Brasil