Apresentação musical no Teatro Amazonas marca encerramento de projeto do Inpa

Talentosos e criativos. Assim podem ser definidos os jovens da Camerata de Ukulelê de Manacapuru que retornam ao Teatro Amazonas para apresentação em dose dupla com a Orquestra de Violões do Amazonas (Ovam). No domingo (26), eles sobem ao palco às 19h e na próxima terça-feira (28), às 20h.

As apresentações são gratuitas e fazem parte das programações de encerramento do projeto Construindo Instrumento Musical com Madeiras da Amazônia, desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), e do aniversário de 61 anos de instalação do Instituto, comemorado no dia 27 de julho.

O show é composto por dez músicas, a metade solo e a outra acompanhada pela Ovam, regida pelo maestro Davi Nunes, que também deu aulas de teoria musical e leitura de partitura para os jovens estudantes. No repertório estão músicas, por exemplo, dos Raízes Caboclas, Osmar Gomes e Celdo Braga, Tom e Chico Buarque; Chimmarruts e Guns N’ Rose.

Durante quatro anos de atividade, os jovens aprenderam a construir os próprios instrumentos – o ukulelê, instrumento musical de cordas havaiano – utilizando madeiras de demolição e árvores caídas, como louro negro, piquiá, marupá. Até madeira do telhado do antigo prédio da diretoria do Inpa virou ukulelê.

A atração dos jovens pela música foi tanta que eles não se contentaram com a atividade de luthier e aprenderam a tocar, cantar, fazer apresentações e agregar novos instrumentos à camerata. Segundo o maestro Davi Nunes, quase dois anos após a primeira apresentação no maior símbolo cultural do Estado, os jovens tiveram um ganho técnico e musical significativo.

“Eles ganharam o gosto pela música, e passaram por um preparo técnico mais avançado, inclusive agregando instrumentos de percussão, também criados por eles. Isso deu um tempero muito melhor à música deles”, revelou Nunes.

A Camerata é fruto do projeto Construindo Instrumento Musical com Madeiras da Amazônia, orientado pelos pesquisadores do Inpa Claudete Catanhede, Niro Higuchi, Estevão Monteiro de Paula e Joaquim dos Santos. A Camerata é formada por bolsistas do Programa de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic-Jr), com o apoio do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) Madeiras da Amazônia do Inpa.

“O projeto foi mais do que uma oficina-escola de construção de instrumentos. Tornou-se dentro da comunidade uma ferramenta de cidadania com possibilidades inesgotáveis”, disse a coordenadora do projeto e pesquisadora do Inpa, Claudete Catanhede.

Alguns jovens adotaram a lutheria como profissão, outros que começaram como estudantes do ensino médio, hoje já estão na faculdade. É o caso de Pablo Leitão, 17, que concilia as duas atividades. Ele iniciou no projeto aos 13 e atualmente cursa Engenharia Civil, pela manhã, em Manaus, e exerce a atividade de luthier junior, no período da tarde, em Manacapuru.

“Eu nunca imaginei tocar pela segunda vez no Teatro Amazonas. Em 2013, eu vi como uma grande experiência, até porque eu nunca tinha entrado no teatro e quando entrei, entrei tocando. É uma emoção muito grande. E agora terei o prazer de reviver isso”, conta Leitão.

Exposição

Como parte da programação, acontecerá uma exposição para comercialização de 30 Ukulelês e quatro violas caipiras confeccionados pelos participantes do projeto. A exposição será realizada no período de 29 de julho a 02 de agosto, na Casa da Ciência, situada no Bosque da Ciência do Inpa, das 9h às 12h e das 14h às 17h.

O projeto Construindo Instrumento Musical com Madeiras da Amazônia recebeu o apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Também recebeu apoio da empresa Puro Amazonas (incubada no Inpa à época), do Laboratório de Engenharia de Artefatos de Madeira (Leam) e do Laboratório de Manejo Florestal (LMF), ambos do Inpa.

Apelo socioambiental

Para o pesquisador do Inpa, Niro Higuchi, os resultados desse subprojeto do INCTI tiveram uma significativa repercussão na área acadêmica e científica. O encaminhamento inicial era de um projeto de inclusão social no intuito de formar luthier os estudantes de escolas públicas adaptando as madeiras caídas da Amazônia e de demolição na confecção do Ukulelê.

De acordo com o pesquisador, nestes aspectos, o projeto teve um outro apelo, o ambiental, já que as madeiras de demolição iriam ser queimadas devolvendo gás carbônico (CO2) para a atmosfera. Da mesma maneira as madeiras caídas naturalmente se fossem deixadas na natureza iriam se decompor e emitir um outro gás de efeito estufa, que é o metano (CH4).

“Talvez o INCT Madeiras da Amazônia seja mais conhecido com este subprojeto do Ukulelê do que com as publicações acadêmicas que realizamos”, ressalta Higuchi.

INPA


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